Coreia do Norte rejeita exigência da AIEA para abandonar programa nuclear
A Coreia do Norte rejeitou hoje uma resolução da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) que exige a desnuclearização do país, afirmando que não terá qualquer impacto na sua posição de deter armas nucleares, informou a agência estatal KCNA.
"Fechar os olhos à ameaça e à proliferação nuclear dos Estados Unidos e de outras forças hostis, ao mesmo tempo que se exige à Coreia do Norte que renuncie às suas armas nucleares, equivale a pedir-nos que renunciemos à nossa própria existência e ao nosso direito de viver", afirmou Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, num comunicado.
A resolução foi aprovada na quinta-feira durante a 70.ª Conferência Geral da AIEA, em Viena.
O texto insta a Coreia do Norte a abandonar de forma completa, verificável e irreversível as suas armas e programas nucleares e a cessar todas as atividades nucleares, bem como a expansão das instalações destinadas à produção de material físsil, incluindo através do enriquecimento e reprocessamento.
As exigências da AIEA estão em linha com o relatório divulgado em agosto pelo organismo, que documenta uma nova expansão do programa nuclear norte-coreano, incluindo a construção de uma segunda instalação de enriquecimento de urânio em Yongbyon.
Kim Yo-jong recordou que o seu país abandonou a AIEA em 1994 e acusou a agência de ignorar a dissuasão alargada dos Estados Unidos em relação à Coreia do Sul e ao Japão, bem como os planos sul-coreanos para adquirir submarinos de propulsão nuclear.
"Garantir que a credibilidade da força nuclear não seja posta em causa em nenhuma circunstância é a questão mais importante para a segurança nacional da Coreia do Norte, que está constantemente exposta à ameaça nuclear das forças hostis", acrescentou.
A responsável norte-coreana já tinha reafirmado na quinta-feira, num outro comunicado, que o estatuto nuclear da Coreia do Norte é "absoluto e irreversível".